Mais uma vez um grande evento dos Caminheiros do Clac. As inscrições levaram-nos a prever um passeio pedestre cheio de caras novas e de caminheiros oriundos de várias zonas do pais.
A manhã estava cinzenta e amena propicia a um esforço suplementar, destino; Alvados. Do Entroncamento saiu uma caravana com aproximadamente trinta caminheiros, bem dispostos e curiosos com o que os esperava. Á chegada a Alvados, mais propriamente á igreja da N. Senhora da Consolação havia uma moldura humana muito considerável á nossa espera. É uma sensação fantástica poder partilhar com 62 caminheiros lugares e lindos e zelar também pela saúde.
Inicia-mos o passeio por veredas entre muros de pedras cuidadosamente colocadas e carvalhos-cerquinhos (Quercus faginea) delimitando as propriedades e locais de pasto de gado bovino. A arquitectura tradicional também impera neste local pois a matéria-prima abunda. Com o olhar atento todos os pormenores realçavam.
O caminho era estreito, ia subindo e serpenteando pelo sopé da serra dando belas paisagens e a engraçada forma da fila indiana aos altos e baixos. O grupo parecia bastante homogéneo, com pessoas de todas as idades e também adolescentes com os respectivos pais.
A entrada no vale da Fórnea mostra sempre um enorme respeito pela natureza como ela nos tivesse a olhar de cima para baixo. A ribeira levava pouca água, mas dava para imaginar um dia de tempestade o caudal espectacular que não levaria. Á nossa frente erguia-se um paredão de pedra calcária, com origem nos movimentos tectónicos da crusta terrestre que, após milhares de anos de movimentações das placas continentais e oceânicas, emergindo da superfície.
Antes de dar inicio á subida todos se instalaram para dar início ao reforço alimentar. O próximo paço não seria pêra doce e exigia alguma destreza física o que dava o grau 4. Umas sandes, bananas e bolachas, sumos e maçãs tudo se comiam para ganhar coragem e estofo.
Com algumas “rezas” e pragas iam subindo, ora com os pés, ora com as mãos também todos progrediam com dificuldade, esta acrescida que as pedras no chão se moviam deliberadamente debaixo dos pés. Quem ia na frente e olhava para trás, via toda a fila por um carreiro que nos levava a pensar que podia-mos estar algures no Tibete numa hipotética escalada. Esta de aproximadamente de 200 metros já nos deu água pela barba.
No planalto uns minutos de descanso onde também esperámos pelos mais atrasados, uma boa altura para comer mais qualquer coisita no fundo da mochila. O estado de espírito era elevado e alguns tinham superado todas as expectativas apesar de cansados reinava a boa disposição e a satisfação era geral. A paisagem essa imperava á nossa frente.
Após um briefing dado pela organização, deu-se o início da descida pelo lado de Alvados, magestosa e singular. A vista linda de morrer propicia a distracções e trambolhões tornou-se divertida, já com a igreja á vista. É uma linha muito tenua na vertente norte que nos leva ao fim desta, para alguns lazer para outros Aventura.
8 De Fevereiro de 2010
Coordenador Clacaminheiros
Jpimenta