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Rota dos Templários – Relato de um sonho

as imagens são mais que mil palavras!

1ª ULTRA ROTA DOS TEMPLÁRIOS

Não é fácil passar todas as emoções que tenho dentro de mim cá para fora. É um misto de surreal com todo o esplendor que nos rodeia nestas aventuras.
Tentando por as ideia no lugar e não estando muito preocupado com analises literárias pré – definidas, vou deixar fluir.

Há já algum tempo que tinha partilhado com o José Leote, Presidente do CLAC. a hipótese de realizar-mos um mega passeio pedestre aproveitando a bacia do Tejo como pano de fundo. Rapidamente começamos a esboçar no papel e eu saltei para o terreno.
Iniciei os reconhecimentos ora de btt ora a pé, acompanhado ou sozinho avançávamos pelo terreno a procurar os melhores caminhos e das mais belas paisagens. Não sou um bom exemplo como caminheiro, porque muitas vezes entro no campo sozinho sem o conhecer, estando a mercê da natureza. Nele tenho a sensação de estar num quintal gigantesco em que temos de interpretar tudo o que nos rodeia e no fundo é como estar-mos em casa. Só de pensar que há pessoas que num piquenique vão fazer um xixi e ficam com medo de se perderem é no mínimo hilariante.

Como disse a um amigo de caminhada sou um curioso e na minha vida sempre me dei bem com os meus princípios da procura do entendimento das coisas. Também tenho algumas histórias em que ninguém acredita, essas continuam minhas, são o meu segredo.
Assim, isto de misturar a natureza com o convívio e o exercício físico neste caso a marcha é magnífico. Partilhar emoções, sons, cheiros e histórias, é uma caraquetristica de quem anda a pé e é essa a essência do homem.

Foi com este estado de espírito e dedicação que encarei este projecto. Este tem pernas para andar e pode perfeitamente entrar no calendário nacional de caminhadas de grandes distâncias. Ao nível de apoios foram os possíveis acredito que para o ano seja melhor porque esta é uma nova forma de fazer turismo. Contudo 70 % dos caminheiros eram de fora do distrito de Santarém e também tivemos alguns estrangeiros. A divulgação foi a via mais eficaz de sensibilizar estes 40 ilustres caminheiros a participar neste evento que o CLAC pós de pé.
Todo o trabalho de logística no interior do CLAC e fora dele foi espectacular. A ajuda de amigos e sócios foram determinantes para todo o desenvolvimento ao longo de 45.6km.

Estava-mos no dia D, 6.30h da manhã a temperatura rondava os 9º,noite serrada. Os caminheiros começavam a chegar com algum entusiasmo ao pavilhão desportivo cedido gentilmente pela CME. Nele estava o secretariado e todo o staff preparados para receber todos os participantes e prenda-los com algumas lembranças. Depois de um briefing que alertou para alguns aspectos do percurso e algumas atitudes alertadas por mim e pelo presidente Leote.

E assim iniciamos esta aventura ás 7.10h em direcção á Moita do Norte, passámos pelas piscinas, planalto da Atalaia e paragem técnica para as necessidades fisiológicas. O pessoal começava-se a despir pois a temperatura estava a subir em flecha e o nevoeiro começava a dissipara-se no horizonte. Estava-mos a chegar cais de Tancos dentro do horário previsto. A paisagem era soberba, uma ligeira neblina dava uma tenua vista do Arrepiado e do Castelo de Almourol. Seguimos junto á linha do comboio por um carreiro de pé posto. Ao fundo o tão esperado Castelo de Almourol a onde iríamos descansar um pouco e comer umas frutas, uns bons bons, bolinhos e sumos. Todos satisfeitos, continuámos a marcha, convento do Loreto, estação de Almourol e passamos por um caminho pitoresco, entre hortas que nos levou á Praia do Ribatejo. Aí sim, o verde na paisagem e predominante contrastando com o azul da água, tinha-mos os pés no areal. Depois de umas centenas de metros no areal, subimos junto á ponte onde fizemos uma ligeira paragem. O apetite estava instalado, faltava pouco para o almoço. Mas antes um dos momentos altos do passeio a passagem de barco no rio Zêzere, um grande apoio dos bombeiros de Constância. Todos adoraram esta passagem, para a outra margem onde estava o almoço á nossa espera.

Foi num restaurante mesmo junto ao rio “Trinca Fortes” o local privilegiado para comer uma sopa de osso e umas febras com batatas e salada. Alguns já se tinham ido embora pois tinham chagado aos 20 km, os restantes divertiam-se num grande clima de camaradagem. O tempo voava, tinha-mos que apanhar o barco para a outra margem. Muito engraçado, a câmara de Constância disponibilizou-nos este serviço á hora de almoço.

Já na margem sul os resistentes continuaram a andar a um excelente ritmo, passaram pela capela de Sto. António e entraram numa zona mais acidentada. Um autentico carrossel numas colinas de um eucaliptal sem fim, entre antigas quintas e linhas de água o percurso dava para ver os últimos da fila. O ritmo era agora alucinante o grupo alongava-se um pouco, pois estava-mos um pouco atrasados. Rapidamente chagámos ao miradouro de Almourol, o 2º abastecimento. A segunda parte já tinha feito uma baixa, nada de grave e o pessoal estava-se aguentar bem aos 30km.

A minha filha de 13 anos estava a ir bem apesar de umas dorezitas numa perna que foi socorrida logo por um caminheiro. A paisagem era soberba o riu e o castelo de mãos dadas. Toca andar para não arrefecer em direcção ao Arrepiado. Num caminho muito variado que obrigava a caminhar em fila indiana, de um belo efeito, um sobe e desce no meio das hortas e uma encruzilhada no meio do casario espectacular que pós o pessoal de boca aberta. Passamos no centro do Arrepiado e descemos as escadinhas frente á igreja matriz em direcção ao cais para a última passagem de barco.

Lá estavam as carrinhas de apoio uma em cada margem, O barco só passava 9 de cada vez e aproveita-mos para descansar um pouco no cais. Já em Tancos iniciámos uma das últimas etapas, com um fim de tarde excelente, chaga-mos ao ultimo abastecimento em Vila Nova da Barquinha. Passamos pelo parque ribeirinho com a lua a espreitar e uma temperatura amena.

O ritmo era diabólico e a ansiedade começava a tomar conta das nossas mentes, parar tornava-se doloroso mas essencial na Quinta da Cardiga para reunir as tropas e tirar uma foto de família. A lua acompanhava-nos, nós com os frontais mais parecíamos uns pirilampos naquela avenida enorme ladeada pelas árvores majestosas.

A entrada no Entroncamento ás 20.15h foi gloriosa apesar das ruas se encontrarem vazias ia-mos na brasa. Assim todos os bravos chegaram satisfeitos e com o objectivo realizado. Após um belo banho para alguns, um jantar convívio cheio de alegria com as emoções estampadas nos rostos. Estes 45.6km foram os mais rápidos da minha vida em 11h e 20…e saber que partilhei com amigos este sonho.

Um bem haja para todos., que eu continuo a sonhar.

Agradecimentos:

Ao CLAC (Clube de Lazer, Aventura e Competição)
Presidente:  José Leote – em trabalhos diversos

Mário Pereira – Na gestão da logística

Gregório – Apoio nos transportes

São – No secretariado e nos reforços alimentares

Otília e Brito- No secretariado e divulgação do evento

Justino – Apoio em aspectos clínicos e guia dos 25km. Revelou-se uma mais valia.

José Rodrigues – Guia em todo o percurso. Incansável.

Paulo Pratas – Guia em todo o percurso. Incansável.

Filipa Pimenta com o Diogo – De orgulhar-me de ter uma filha com tanta garra e que completou o sonho.

ÁS Câmaras que apoiaram

Ás juntas que divulgaram

Ás secções de Turismo que divulgaram

Á comunicação social lida e ouvida que divulgaram

Todos os novos e velhos amigos que me acompanharam.

Director do CLAC e responsável pelos passeios pedestres.

João Pimenta

Com 1 abraço.

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